domingo, 7 de novembro de 2010

Estilos de Comunicação - Parte II

Estilos de Comunicação

INTRODUÇÃO

Os sentimentos, os comportamentos, as ações, os pensamentos, os desejos, a cultura, têm em comum a necessidade de expressão para se tornarem “reais” e com esse
fim recorrem à comunicação.
No interior das organizações é muito difícil e encontrar uma tarefa que não tenha
qualquer ligação com a comunicação. Ordens são transmitidas, memorandos escritos, palestras assistidas, missões, metas e objetivos desenvolvidos e avaliações feitas com
bases na comunicação.
Assim, um trabalho cujo foco está na comunicação organizacional, revela-se com grande importância prática, pois um melhor entendimento dos influenciadores do processo comunicacional no interior das empresas melhora o entendimento, eleva a eficiência, aumenta a satisfação e gera aumento na qualidade de todas as relações interpessoais.
Ademais uma pesquisa assim centrada ganha importância, não só para as organizações, mas para toda a sociedade, visto que os problemas comunicacionais presentes nas organizações refletem e são reflexos da sociedade.
Com intuito de fazer uma análise da influência dos estilos de liderança e da cultura organizacional no processo de comunicação interpessoal no interior da organização, a metodologia utilizada para a elaboração do projeto de pesquisa foi dividida em três fases distintas, a primeira refere-se a busca dos conceitos essenciais à luz de vários autores, sendo feita através de uma pesquisa bibliográfica.
Uma segunda fase, teve como objetivo a identificação dos traços culturais influenciadores e determinantes para a comunicação interpessoal no interior da organização, utilizou-se um questionário voltado ao exame da cultura e dos ambientes presentes em uma instituição de saúde, onde foi aplicado aos gerentes e as coordenadoras de enfermagem, buscando a comparação entre esses dois níveis hierárquicos.
E em uma terceira fase, foi feita a identificação e descrição dos estilos gerenciais utilizados pelos líderes com a descrição do processo comunicativo, fazendo a relação entre essas duas variáveis (estilo gerencial e ação comunicativa).
Através dessa metodologia foram selecionados 3 ambientes para o estudo da comunicação: o de recursos humanos, o de enfermagem e o de higiene hospitalar, que apresentaram respectivamente características predominantemente: autoritárias, democráticas e uma mescla das anteriores, sendo chamado de ambiente democrático/autoritário.

  • Passivo
  • Agressivo
  • Manipulador

Estilo Passivo

·         Sente-se bloqueado e paralisado quando lhe apresentam um problema para resolver;
·         Tem medo de avançar e de decidir porque receia a decepção. Parece que espera alguma catástrofe;
·         Tem medo de importunar os outros;
·         Deixa que os outros abusem dele;
·         A sua “cor” é a cor do ambiente onde está inserido. Ele tende a fundir-se com o grupo, por medo. Ele chama a isto realismo e decepção.

Sinais Clínicos do Passivo

·         Roer as unhas;
·         Mexer os músculos da face, rangendo os dentes;
·         Bater com os dedos na mesa;
·         Riso nervoso;
·         Mexer frequentemente os pés;
·         Está frequentemente ansioso;
·         Tem insónias.




Consequências nefastas desta atitude

·         Desenvolve ressentimentos e rancores porque ao longo da sua existência vai sentindo que está a ser explorado e diminuído;
·         Estabelece uma má comunicação com os outros porque não se afirma e raramente se manifesta. Os outros não conhecem os seus desejos, interesses e necessidades;
·         Utiliza mal a sua energia vital. A sua inteligência e afectividade são frequentemente utilizadas para se defender e fugir às situações. Seria muito mais produtivo se investisse essas energias em acções e soluções construtivas para si e para os outros;
·         Perda do respeito por si próprio, porque frequentemente faz coisas que não gosta muito e que não consegue recusar.

Álibis ouvidos com maior frequência pelo Passivo

·         Não quero dramatizar;
·         É preciso deixar as pessoas à vontade;
·         Não sou o único a lamentar-me;
·         É preciso saber fazer concessões;
·         Não gosto de atacar moinhos;
·         Admito que os outros sejam directos comigo, mas eu tenho receio de os ferir;
·         Não gosto de prolongar a discussão com intervenções não construtivas.

Qual a origem da atitude de FUGA ou de PASSIVIDADE

1.      Falsa representação da realidade que o cerca e uma má apreciação e interpretação das relações de poder e influência. Existe um fantasma sobre o poder do outro; imagina o outro com muito mais poder do que de facto tem;
2.      Desvalorização das suas capacidades para resolver problemas;
3.      Uma educação severa e um ambiente particularmente difícil onde vivenciou muita frustração, é outra causa possível.


Estilo Agressivo

Procura:

Ø  Dominar os outros;
Ø  Valorizar-se às custas dos outros;
Ø  Ignorar e desvalorizar sistematicamente o que os outros fazem e dizem.

Atitudes Agressivas nas relações hierárquicas

·         Em posição dominante: autoritarismo, frieza, menosprezo, intolerância;
·         Em posição subordinada: contestação sistemática, hostilidade “ a priori” contra tudo o que vem de cima.

Sinais Clínicos do Agressivo

·         Falar alto;
·         Interromper;
·         Fazer barulho com os seus afazeres enquanto os outros se exprimem;
·         Não controlar o tempo enquanto está a falar;
·         Olhar de revés o seu interlocutor;
·         Arvorar um sorriso irónico;
·         Manifestar por mímica o seu desprezo ou a sua desaprovação;
·         Recorrer a imagens chocantes ou brutais.

Álibis ouvidos com maior frequência pelo Agressivo

·         Neste mundo é preciso um homem saber impor-se;
·         Prefiro ser lobo a ser cordeiro;
·         As pessoas gostam de ser guiadas por alguém com um temperamento forte;
·         Se eu não tivesse aprendido a defender-me já há muito tinha sido devorado;
·         Os outros são todos uns imbecis;
·         Os outros são todos uns patifes;
·         Só os fracos e os hipersensíveis é que podem sentir-se agredidos.

Origens da Atitude Agressiva

·         Uma elevada taxa de frustrações no passado – uma pessoa que tenha vivido muitas frustrações no passado teme toda a situação que possa causar o mínimo de frustração e, por isso, ataca frequentemente (é necessário reduzir os momentos de frustração e dar algumas satisfações pessoais ao agressivo. Ele tem que reconhecer a sua fragilidade e o valor da confiança recíproca).

·         O medo latente – o medo está constantemente presente no indivíduo. O medo do outro está ligado a experiências antigas. É necessário fazê-lo exprimir tranquilamente este medo. Existe um fantasma que o persegue e que é simbolizado pelas outras pessoas.

·         O desejo de vingança – a pessoa está sempre em posição de rivalidade. Ela tem sempre velhas querelas e não esquece velhos conflitos.

Estilo Manipulador

·         Apresenta uma relação táctica com os outros;
·         Tende a valorizar o outro através de frases que pretende que sejam humorísticas e que denotem inteligência e cultura;
·         Exagera a caricatura algumas partes da informação emitida pelos outros. Repete a informação desfigurada e manipula-a;
·         Utiliza a simulação como instrumento. Nega factos e inventa historias para mostrar que as coisas não são da sua responsabilidade;
·         Fala por meias palavras; é especialistas em rumores e «diz que disse;
·         É mais hábil em criar conflitos no momento oportuno do que reduzir as tensões existentes;
·         Tira partido do sistema (das leis e das regras), adapta-o aos seus interesses e considera que, quem não o faz é estúpido;
·         Oferece os seus talentos em presença de públicos difíceis;
·         A sua arma preferida é a culpabilidade. Ele explora as tradições, convicções e os escrúpulos de cada um; faz chantagem moral;
·         Emprega frequentemente o “nós” e não o “eu”; “falemos francamente”; “confiemos um no outro”;
·         Apresenta-se sempre cheio de boas intenções.

Consequências da Atitude de Manipulação

·         O manipulador perde a sua credibilidade à medida que os seus “truques” forem descobertos;
·         Uma vez descoberto, o manipulador tende a vingar-se dos outros e, se tem poder, utiliza-o para isso;
·         Dificilmente recupera a confiança dos outros.

Origem das Atitudes de Manipulação

·         Uma educação tradicional onde a manipulação era o único meio para atingir os objectivos. Os pais para obterem o poder sobre os filhos utilizavam comportamentos manipuladores;
·         Acreditar, de facto, que:

·        Só se pode confiar nos santos
·        Não se pode nem deve ser franco e directo
·        A acção indirecta é mais eficaz que o face a face

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