quinta-feira, 3 de março de 2011

Falta-nos inexperiência


Homero Reis - Especial para o Admite-se

06/01/2011 09:41

Stuart Atkins e Allan Katcher (1970) escreveram um tratado sobre desenvolvimento humano intitulado LIFO – Life Orientation. Trata-se de um estudo sobre as competências humanas e de uma metodologia para avaliá-las e desenvolvê-las. A tese básica desse trabalho pode ser sintetizada pela seguinte declaração: nossa força é também a nossa maior fraqueza. Isto é: nossas competências quando utilizadas em excesso tornam-se na razão para nosso fracasso. Acidentes de trânsito inusitados são provocados por exímios motoristas; nadadores experientes morrem afogados, ou seja, pessoas habilidosas, por confiarem exageradamente em suas capacidades, acabam cometendo erros primários. Isso ocorre em todos os domínios humanos. Por exemplo, pessoas com certezas absolutas não conseguem ver além de suas próprias certezas, nem imaginar outras possibilidades além daquelas nas quais acredita. Deve haver espaço para a dúvida, para o desconhecido, o inefável, o inexplicável.

Se por um lado, conhecimentos, habilidades e atitudes são essenciais para a construção da competência, por outro, a crença exagerada nos “manuais” limita nossa capacidade de inovar, criar, transgredir, mudar. A experiência é fundamental, mas não deve ser a base de tudo.

Diz o ditado que quem sabe muito não vê o óbvio. Nosso modelo mental é de tal forma afetado pelo conhecimento prévio que nossas percepções são “formatadas” por ele. Tal processo é inegável; no entanto cabe-nos estar atentos para intentarmos outras possibilidades a partir da capacidade de transgredir a norma estabelecida. Veja bem, não faço uma ode à insubordinação; apenas digo que devemos nos permitir inovar. Se assim não fora, estaríamos até hoje nas cavernas.

Mas, nem precisamos voltar tanto no tempo assim. Um dia alguém julgou que o sistema monárquico poderia não ser a melhor forma de gerir uma nação. Muitos questionaram, outros afirmaram que sempre fora assim e que a lei não permitia mudanças. Com o tempo, a ideia vingou e o sistema foi transformado, a lei alterada e a democracia instalou-se. Muitos achavam que a economia de base escravocrata era a melhor forma de produção; outras ideias surgiram e tudo se fez novo. Em algum momento a terra foi plana, o universo infinito, o voo impossível e chupar manga depois de beber leite era fatal. Alguém teve a coragem de discordar, quebrar o padrão, pensar “fora da caixinha”. É tão perigoso utilizar exageradamente nossas competências quanto julgar que tudo pode ser explicado com o que sabemos e somos agora.

Falta-nos a inexperiência. É com ela que ousamos o inédito; interpretamos a novidade; saímos do script; fazemos o que ainda não foi feito; inventamos o futuro.

Acredite na técnica, na ciência e no método; estude o manual e veja o que está sendo feito; mas, ouse a novidade, pense no absurdo, relacione os impossíveis, tente o proibido, transgrida a norma. É lá que estará, provavelmente, o caminho novo, a coisa inédita, o senso incomum, o futuro.

Lembre-se: tudo o que hoje é possível foi, há algum tempo, loucura, delírio, tabu, proibição e impossibilidade. A inovação está um passo além do conhecido. Ter a coragem de ir onde ninguém foi nos coloca diante de riscos, é verdade; no entanto, cria possibilidades que podem transformar o mundo.

Reflita em paz!

Fast food ou lean manufacturing food?

Por Luciano Peloche
Queria compartilhar um exemplo que achei muito interessante de aplicação de conceitos Lean em uma empresa sem manufatura.

Trata-se da rede de fast food Subway. Não sei se todos já notaram como conceitos que aplicamos nas manufaturas podem ser facilmente encontrados lá (consquentemente, os problemas também!).

Começamos pelo modo como somos atendidos. Os lanches seguem um formato de produto padrão, porém é possível fazê-lo a gosto do cliente, isso é, existe uma grande flexibilidade de mudar o sistema de produção para atender a um mercado "make to order". Essa flexibilidade se deve ao fato de não existir necessidade de set-up durante o processo e existir um supermercado de insumos disponível ao "operador", que faz o lanche. Aí vem outro conceito importante: fluxo contínuo. Um lanche por vez é feito em cada etapa do processo, o que gera um estoque em processo de lanches = zero!

Outros conceitos interessantes que podem ser encontrados lá: já repararam que os lanches tem sempre a mesma quantidade de insumos, mesmo tamanho e, por que não dizer, mesmo sabor? Claro, depende do lanche escolhido. 

Isso se deve ao grau de padronização presente. Trabalho Padrão é um forte elemento que podemos ver no Subway. Nas paredes, longe dos olhos dos clientes, é possível encontrar uma série de instruções de trabalho (FITs e LUPs), que fazem com que o método de trabalho dos operadores seja o mais padronizado possível. Existe uma instrução para o corte do pão, para a quantidade de insumos de cada tipo de lanche, para a manutenção autônoma nos fornos, para inspecionar os alimentos. Abaixo dois exemplos que fotografei.



Tem mais. Na figura acima, o quadro do meio é um método para trabalho de acordo com o tamanho da fila, ou seja, se houver uma alteração no tempo takt, existe uma cadeia de ajuda e um Trabalho Padrão para inserir mais operadores na linha, de modo a aumentar a velocidade de preparação dos lanches, inclusive com uma meta de sanduíches / hora pra cada padrão.

Acho muito legal ver esse tipo de aplicação do Lean, embora existem elementos fundamentais que não pude constatar:
- quem checa e melhora os padrões de trabalho?
- quem garante que as inspeções são executadas?
- quem checa se a produtividade está sendo atingida?
- quem verifica os indicadores de desempenho?
- como não existe gestão visual, como é feito o controle de desempenho do processo?
- como são controlados os estoques e entregas de insumos?

Digo isso, pois duas vezes em que estive lá, a fila estava enorme e a cadeia de ajuda não funcionou, portanto os lanches não eram preparados de forma mais rápida. Em outras oportunidades, eles não tinham alface e rúcula. Parte se deve ao fato de o supervisor ficar isolado em uma sala, longe do Gemba!

Ou seja, o aspecto cultural e o modo como os problemas são expostos e resolvidos ainda pode ser evoluído, mas trata-se de um bom exemplo de aplicação de ferramentas Lean, sem dúvida.

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